Gula - Por que é tão difícil controlar a saciedade


Muitas pessoas se frustram por não conseguirem seguir a alimentação de maneira disciplinada. E isso pode ocorrer porque alguns indivíduos possuem níveis de saciedade reduzidos.

A dificuldade de ficar saciado é um dos inimigos da dieta. Mas o que muitos não sabem é que essa característica é herdada geneticamente. Ou seja, algumas pessoas têm problemas para controlar a alimentação devido à um componente genético.

A obesidade é tratada como uma epidemia em nível mundial e diversos centros de pesquisa tentam entender porque os números aumentam cada vez mais e quais os mecanismos fisiológicos que levam ao desenvolvimento do sobrepeso.




Recentemente, o CDC (Center of Disease Control and Prevention) divulgou um relatório com os índices de obesidade da população americana nos últimos três anos. O estudo mostra que os índices aumentaram em crianças, adultos e adolescentes. No Brasil, a realidade parece não ser diferente.

A preocupação com os altos índices de obesidade ocorre pelo fato de que ela é o gatilho para diversas doenças crônicas, como diabetes, doenças cardiovasculares e câncer. A forma mais comum de obesidade é multifatorial, que envolve muitos genes e fatores ambientes, incluindo dieta e padrões de atividade física. Os genes que estão envolvidos fazem parte das vias de homeostase energética, consumo de energia (através de mecanismos como regulação), propensão para armazenar calorias ingeridas em excesso, gosto e saciedade.

Além disso, nosso meio ambiente "obesogênico" oferece oportunidades abundantes para aumentar a ingestão de alimentos (por exemplo, o aumento da disponibilidade e acesso a lojas de fast food) e diminuir os níveis de atividade física (menos oportunidades de atividade devido à falta de calçadas, trilhas para caminhada, ciclovias, ou parques).

Assim, o controle do ambiente é fundamental, mas o conhecimento da genética também é uma ferramenta interessante. Algumas pessoas se frustram pois não conseguem adotar uma dieta e seguir de maneira disciplinada. Isso pode acontecer entre outros fatores, porque alguns indivíduos possuem os níveis de saciedade reduzidos.

Um estudo realizado no King’s College London Institute of Psychiatry demonstrou que indivíduos com uma variante do gene FTO, mesmo após as refeições, apresentam os níveis de grelina mais elevados. Ela é um hormônio produzido pelo estômago. Durante o jejum, age no cérebro e parece estimular a sensação de fome. Na medida que a pessoa ingere o alimento ele vai diminuindo sua concentração. Mas para pessoas com essa alteração genética, isso parece não acontecer, o que acarreta em um aumento do índice de massa corporal.

Para esse grupo, dietas tradicionais ou da moda não vão trazer os resultados desejados. Pode parecer algo raro, mas essa variante está presente em aproximadamente 20% nas populações estudadas.

Então, são muitas pessoas no mundo que apresentam dificuldades de saciedade, o que pode ser um importante agravante para a elevação cada vez maior dos índices de obesidade. Uma dieta não servirá para toda a população. A individualidade cada vez mais tem sido a melhor alternativa para a saúde e bem estar.

Fonte: extra.com


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