A hipertensão e a genética - Quem tem os dois pais com hipertensão tem 60% de risco de adquirir

A hipertensão e a genética - Quem tem os dois pais com hipertensão tem 60% de risco de adquirir

A hipertensão e a genética! 

Do ponto de vista genético, quem tem o pai ou a mãe hipertensos tem 30% de risco de se tornar também. Quando a herança é bilateral, o risco sobe para até 60%.

Atualmente envolvido na preparação das diretrizes brasileira e latino-americana de controle da hipertensão arterial, o cardiologista Marcus Malachias, doutor em ciências da saúde, professor da Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais e presidente eleito da Sociedade Brasileira de Cardiologia está revendo estudos recentes sobre a doença.



Entre os dados que vieram à tona agora, a equipe descobriu que a hipertensão não controlada pode reduzir em até 16 anos a expectativa de vida e é a maior causa de infarto do coração e derrame cerebral, as duas principais causas de morte no Brasil e no mundo. 

O que deve mudar nas diretrizes de controle da pressão arterial?
Há uma discussão internacional acerca de como tratar melhor o hipertenso, pois a hipertensão é a maior causa de infartos e derrames, as duas maiores causas de morte no mundo. É claro que devemos estimular a adoção de dieta adequada e exercícios físicos, mas hoje sabemos que poucos modificam radicalmente o seu estilo de vida. Por isso, indicamos mais precocemente o uso de medicamentos, que, segundo centenas de estudos científicos, têm comprovado benefícios em reduzir doenças e aumentar a qualidade e expectativa de vida.

Essa mudança de diretriz então seria em prol do uso de medicamentos mais precocemente?
O que queremos é alertar as pessoas para um diagnóstico mais precoce. A maioria dos hipertensos só inicia o tratamento após anos de instalação da doença, quando já estão em curso as agressões ao coração, cérebro, rins e artérias. Basta medirmos a pressão arterial em casa, no trabalho, na farmácia, no consultório. Deveríamos ter mais equipamentos de medida de pressão eletrônicos em locais que não o consultório, como temos termômetros e balanças. Ao observar valores elevados, o paciente deveria procurar o médico. Só o médico pode instituir o diagnóstico de hipertensão e determinar a melhor forma de tratamento e acompanhamento.

Uma vez aprovado, para quê servirá essa diretriz?
Os tratados médicos são, em geral, complexos e longos, dificultando a difusão e a aplicabilidade do conhecimento. Diretrizes são documentos mais simples e objetivos, que ensinam passo a passo como lidar com problemas específicos. Além disso, as diretrizes são como guias disponibilizados gratuitamente, publicados em várias revistas médicas, distribuídos largamente sob a forma de manuais e disponibilizados pela internet.


Por que com tanta campanha de melhor qualidade de vida, alimentação e exercícios a hipertensão é a maior causa de infarto do coração e derrame cerebral?
A hipertensão afeta mais de 30 % da população adulta e já acomete 5% das crianças e adolescentes. O crescente aumento de peso da população e a maior expectativa de vida têm feito com que a hipertensão atinja cada vez mais pessoas. Pesquisas nacionais e internacionais apontam que as pessoas, em geral, já compreendem que ter a pressão elevada aumenta as chances de doenças, mas pelo fato dela ser quase sempre assintomática, não provocar dor ou desconfortos, não têm disciplina no tratamento. Dados brasileiros apontam que 80% dos hipertensos não fazem o tratamento regular e contínuo. As causas são muitas. Muitos por descuido, outros por temerem efeitos colaterais dos medicamentos. Homens temem que os remédios interfiram na função sexual. Mulheres temem ganhar peso. São crendices que impedem o tratamento adequado.

O sal ainda é um grande vilão?
A ingestão excessiva de sódio é um problema mundial, causado pelo crescente consumo de alimentos prontos e semiprontos da vida moderna, muito ricos em sal e responsáveis por mais de 70% da quantidade diária ingerida. Quem consegue reduzir o consumo de sal pode necessitar de menos remédios para controlar a pressão arterial, mas, em geral, não é o suficiente, também são necessários medicamentos.

E a genética?
A herança genética é maior causa de hipertensão. Quem tem um dos pais com hipertensão, tem 30% de chances de se tornar também hipertenso. Se a herança é de pai e mãe, o risco é de 60%. Se a esta herança se somam ganho de peso, excesso de sal, estresse e sedentarismo, as chances de hipertensão são de quase 100%.

O que esperar de novos medicamentos?
Essa é a grande novidade. Os medicamentos antigos, realmente, apresentavam maiores percentuais de efeitos colaterais, o que dificultava a continuidade do tratamento. Os novos anti-hipertensivos são bem tolerados e comprovaram reduzir as chances de doença e morte. Outra boa notícia é que existem hoje dezenas de remédios eficazes, o que aumenta a possibilidade de individualizar o tratamento e encontrar a opção ideal. Os IECA são medicamentos que atuam em um dos principais mecanismos de regulação da circulação, destacando-se como uma das melhores opções para a maioria dos hipertensos.

Fonte: Jornal Extra / Sociedade Brasileira de Cardiologia


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