Obesidade pode colocar fígado e tireoide em risco


Obesidade pode colocar fígado e tireoide em risco

Excesso de peso pode gerar complicações como cirrose no fígado e nódulos na tireoide.

A epidemia mundial de obesidade já é uma preocupação tão grande quanto a desnutrição por conta dos estragos que vem fazendo na saúde da população. 

O excesso de peso é responsável por grande parte das doenças cardíacas e respiratórias e também pelo aparecimento de preocupantes alterações no fígado, problemas na tireoide e até mesmo câncer.


Este e outros temas relacionados à obesidade foram tratados no 14º Congresso Brasileiro de Obesidade e Síndrome Metabóloca, promovido pela Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO), realizado na capital paulista.

De acordo com uma revisão de vários estudos publicada pelo oncologista José Barreto Carvalheira, da Universidade de Campinas (Unicamp), e apresentado no evento, a obesidade atualmente é a causa de 15­% a 20% de todos os cânceres nos Estados Unidos em indivíduos não fumantes. E em todas essas doenças, quanto maior o grau de obesidade, maior o risco.

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Entre estas complicações está a esteatose, uma concentração acima do normal de gordura no fígado, que pode evoluir para lesões hepáticas ou cirrose e favorecer o aparecimento de fibrose no órgão.
“Aumentam os ácidos graxos e consequentemente os fatores de inflamação que levam à fibrose”, explica Leila Maria Batista Araújo, endocrinologista da Universidade Federal da Bahia.

Apenas 10% de acúmulo de gordura acima do normal nesse órgão já configura a doença. Seu principal fator de risco é a síndrome metabólica, conjunto de alterações funcionais do corpo que reduzem a resistência à insulina gerando uma série de complicações, entre elas o diabetes.

A médica alerta que a doença é silenciosa, ou seja, evolui sem sintomas muito aparentes. Em geral, ela é diagnosticada por meio de exames de imagem como ultrassom ou tomografias computadorizadas. Não há tratamento para a esteatose, é necessário que o paciente emagreça para haver alguma melhora no quadro. No entanto, a perda deve ser gradativa.
“A perda de peso muito exagerada, acima de 1,6kg por semana, pode aumentar o risco da esteatose virar esteopatite, uma complicação grave da doença”, afirma Leila.

Tireoide

Outra consequência preocupante do excesso de peso são as alterações da glândula tireoide, algo comum em obesos ou pessoas acometidas pela síndrome metabólica.

“Um em cada três obesos apresenta inflamações na tireoide ou nódulos nessa glândula”, diz Geraldo Medeiros Neto, professor de endocrinologia da Universidade de São Paulo (USP). É mais comum uma pessoa com excesso de peso desenvolver problemas nessa região do que ganhar peso em razão de uma disfunção nessa glândula, esclarece o especialista.

E os médicos fazem um alerta: quanto maior o índice de massa corpórea (IMC), mais elevado é o aumento do hormônio circulante. A preocupação nesse caso é: mesmo com o início da dieta e a redução de peso, a secreção desse hormônio diminui, mas não normaliza, o que, em longo prazo, pode levar a doenças do sistema imunológico – responsável pelas defesas do corpo.

Câncer

A estreita relação entre a obesidade e o câncer vem sendo confirmada por meio de estudos, pesquisas e análises em todo o mundo. O Instituto Nacional de Câncer (Inca) classifica o excesso de peso como o segundo maior fator de risco evitável para a doença. A dupla “obesidade + sedentarismo é o principal fator de risco para cerca de 30% dos casos da doença, segundo a União Internacional de Controle do Câncer. Entre os casos de câncer de esôfago, por exemplo, 52,4% são frutos do excesso de peso; no câncer de cólon 35,4% e no câncer de mama esse número representa 22%.

“De 10 a 15% dos casos são causados por inflamação e a obesidade nada mais é do quem um tipo inflamação do corpo”, explica José Barreto Carvalheira, oncologista da Universidade de Campinas (Unicamp).

Os números falam por si e escancaram a importância da redução de peso na prevenção de cânceres e na redução do índice de letalidade da doença, que é comprovadamente maior entre aqueles com sobrepeso.

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