Sobre A Vida e a Morte

… E de novo acredito que nada do que é importante se perde verdadeiramente.



Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas, dos instantes e dos outros.
Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram.
Não perdi nada, apenas a ilusão de que tudo podia ser meu para sempre.(Miguel Sousa Tavares)
Amando muito, viveremos um pouco mais após a morte. Posso dizer com segurança que a minha mãe ou o meu pai vivem em mim, que a metade das coisas que eu faço são “suas”, embora as suas mãos hoje estejam reduzidas a pó. Os grandes escritores continuam vivendo em cada um de nós cada vez que os lemos. Enquanto Beethoven roda no meu gira-discos, quem negaria que ele vive na sua música e em mim?
É como nos transplantes: o morto que doa o seu coração ou os seus rins, continua batendo e purificando o sangue no transplantado. Isto é: continua vivendo em alguém. Todo o ato de amor, toda a obra bem feita e perdurável é transplante de alma cedido a um desconhecido que vive dele e com ele.
(José Luis Martin Descalzo)
Podemos fazer que a morte não chegue antes da morte. Porque há muita gente que atolou nessa falta de vontade de viver, morre muito antes de morrer, vive morta uma boa parte da sua vida e, assim, quando a morte chega, já nada tem para fazer, já encontra o seu trabalho feito. Exagerado, não é? Penso que o homem, já que não pode fugir da morte, pode, ao menos, lutar para atingir os níveis máximos da vida no tempo que lhe foi concedido.
(José Luis Martin Descalzo)
Lembrar que estarei morto em breve é a ferramenta mais importante que eu encontrei para me ajudar a fazer grandes escolhas na vida. Porque quase tudo – todas as expectativas externas, todo o orgulho, todo o medo de errar – cai diante da face da morte.
Já viste, numa tarde de Outono, cair as folhas mortas? Assim caem todos os dias as almas na eternidade. Um dia, a folha caída serás tu.

(Josemaria Escrivá)
Aos “outros”, a morte paralisa-os e espanta-os. – A nós, a morte – a Vida – dá-nos ânimo e impulso. Para eles, é o fim; para nós, o princípio.
(Josemaria Escrivá)
Os mortos são na vida os nossos vivos. Andam pelos nossos passos, trazemo-los ao colo pela vida fora e só morrem connosco.
(Florbela Espanca)
Aquilo a que a lagarta chama fim do mundo, o homem chama borboleta.Richard Bach)
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Sem dúvida, a morte não fazia parte da natureza, mas tornou-se natural; porque Deus não instituiu a morte ao princípio, mas deu-a como remédio. Condenada pelo pecado a um trabalho contínuo e a lamentações insuportáveis, a vida dos homens começou a ser miserável. Deus teve de pôr fim a estes males, para que a morte restituísse o que a vida tinha perdido. Com efeito, a imortalidade seria mais penosa que benéfica, se não fosse promovida pela graça.
(Santo Ambrósio)
Não faças da morte uma tragédia, porque o não é! Só filhos sem coração não se entusiasmam com o encontro com os pais!
(Josemaria Escrivá)
A ideia de morrer talvez trinta anos mais tarde não estraga as alegrias de um homem. Trinta anos, três dias… é uma questão de perspectiva.
(Saint-Exupéry, Terra dos Homens)
Com a morte diante dos olhos a questão do significado da vida torna-se inevitável.
(Bento XVI, Spes Salvi)
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Nunca esqueçais que depois da morte vos receberá o Amor. E no amor de Deus encontrareis, além do mais, todos os amores limpos que tenhais tido na terra.
(Josemaria Escrivá)
Queremos ir ao Céu, mas não queremos ir por onde se vai para o Céu…
(Padre António Vieira)
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Diante da morte, sereno! Quero-te assim. Não com o estoicismo frio do pagão, mas com o fervor do filho de Deus, que sabe que a vida muda, mas não acaba. – Morrer?… – Viver!
(Josemaria Escrivá)
As Almas são substâncias divinas. E depois da morte abrem um caminho para o céu. Não penso como os que recentemente se puseram a sustentar que a alma perece com o corpo, e que tudo é destruido pela morte. Prefiro submeter-me à autoridade dos antigos, à dos nossos pais, que rendiam aos mortos honras religiosas (o que não fariam, sem dúvida, se acreditassem que os mortos eram insensíveis).
(Cícero)
Não morremos para nós mesmos: morremos uns para os outros e, às vezes, uns pelos outros.


(Bernanos)
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Há muitas coisas que adquirem uma importância e uma cor diferentes no momento em que um médico nos vem dizer que temos apenas umas poucas semanas de vida. Que nos importa então se o nosso clube ganhou ou perdeu, se o jantar é carne ou peixe, se visto esta camisola ou aquela, se certa pessoa disse aquilo de mim?…
Visto à luz da morte, tudo isso adquire a sua verdadeira envergadura. E entendemos, então, o que é importante e o que não o é tanto. Ilumina-se o nosso olhar. E isso é útil para nós. Tira-nos de certos enganos a que somos extremamente atreitos.
(Paulo Geraldo)
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Todas as coisas daqui de baixo são um punhado de cinza. Pensa nos milhões de pessoas – já defuntas – “importantes” e “recentes”, de quem ninguém se lembra.
(Josemaria Escrivá)
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Quem organiza a sua vida como se não houvesse a morte não está bom da cabeça…
(Autor desconhecido)
Possuis apenas aquilo que não perderás com a morte; tudo o mais é ilusão.


(Autor desconhecido)
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A vida revela-se ao mundo como uma alegria. Há alegria no jogo eternamente variado dos seus matizes, na música das suas vozes, na dança dos seus movimentos. A morte não pode ser verdade enquanto não desaparecer a alegria do coração do ser humano.
(Tagore, escritor indiano)
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A duração da nossa vida é de setenta anos; e se alguns, pela sua robustez, chegam a oitenta, a medida deles é canseira e enfado; pois passa rapidamente, e nós voamos.
(Salmo 90, Bíblia)
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O homem fraco teme a morte, o desgraçado chama-a; o valente procura-a. Só o sensato a espera.
(Benjamin Franklin)
Entre a sociedade de hoje e os intelectuais medeia um entendimento tácito. «Conto contigo – dizem os leitores – para que me forneças os meios para esquecer, disfarçar, negar, em suma, a morte. Se não cumprires este encargo, expulso-te, ou seja, não te lerei».


(Louis Vincent Thomas, antropólogo francês)
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Aquilo que verdadeiramente é mórbido não é falar da morte, mas nada dizer acerca dela, como hoje sucede. Ninguém está tão neurótico como aquele que considera ser neurótico decidir-se a pensar sobre o seu próprio fim.
(Philippe Ariès)
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Aconteceu-nos uma coisa realmente curiosa: tínhamo-nos esquecido de que temos de morrer. É esta a conclusão a que chegaram os historiadores depois de terem examinado todas as fontes escritas da nossa época. Uma investigação realizada nos cerca de cem mil livros de ensaio publicados nos últimos vinte anos mostraria que apenas duzentos deles (0,2%, portanto) tocavam o problema da morte. Livros de medicina incluídos.
(Pierre Chaunu)
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Devíamos pensar na morte. Analisá-la. Medi-la. Não como quem mede um inimigo, para ver se é possível derrotá-lo, mas como quem olha para dentro de si mesmo com o objectivo de se conhecer.
De todos os seres vivos, só o homem possui o conhecimento certo de que vai morrer. Esse conhecimento – manifestação da grandeza do homem – é luminoso e útil: permite-nos saber o que 
somos e o que são realmente todas as coisas; permite-nos tirar conclusões sobre o sentido da nossa existência – temporária, passageira – neste planeta que deambula num 
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Alegramo-nos, às vezes, no momento em que despertamos de um sonho lúgubre. Poderia ser assim no momento que se segue à morte.
(Nathanael Hawthorne)
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Quando morremos, deixamos atrás de nós tudo o que possuímos e levamos tudo o que somos.
(Autor desconhecido)
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Dizia uma alma ambiciosa de Deus: – “Felizmente, nós não somos eternos!”
(Josemaria Escrivá)

Assim falou o Senhor!

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