Obesidade - Cintura larga (barriga) duplica risco de morte




Ter uma cintura larga (barriga no popular) praticamente duplica o risco de morte prematura.

Isto acontece mesmo que o índice de massa corporal esteja dentro dos limites “normais”, de acordo com um novo estudo realizado em mais de 350.000 pessoas em toda a Europa, e publicado no “New England Journal of Medicine”.

O estudo fornece fortes evidências que armazenar excesso de gordura ao redor da cintura representa um significativo risco para a saúde, mesmo em pessoas que não sejam consideradas obesas ou sequer com excesso de peso. Sugere que os médicos deverão avaliar um paciente da cintura aos quadris, assim como o índice de massa corporal, de acordo com os pesquisadores do Colégio Imperial de Londres, o Instituto Alemão de Nutrição Humana, e outras instituições em toda a Europa.


Quando comparados indivíduos com o mesmo índice de massa corporal, o risco de morte prematura aumenta de forma linear à medida que o volume da cintura aumenta. O risco de morte prematura foi de cerca de duas vezes maior nos indivíduos com uma cintura de maior dimensão (mais de 120 centímetros para homens e 100 centímetros para mulheres) comparativamente aos indivíduos com cinturas menores (menos de 80 centímetros para homens e inferior a 65 centímetros para mulheres. O índice de massa corporal é usado, de forma geral, para avaliar se o peso de uma pessoa está dentro do normal.

Cada 5 cm de aumento na circunferência da cintura representa um risco de mortalidade acrescido em 17% nos homens e 13% nas mulheres.

A proporção de cintura para quadril também se tem revelado como um importante indicador de saúde no estudo, já que quocientes de cintura quadril mais baixos indicam que a cintura é comparativamente pequena em relação aos quadris. Este quociente é calculado dividindo a medida da cintura pela do quadril.


A relação cintura quadril varia de forma bastante equitativa nas populações em estudo da União Europeia. Em 98% da população em estudo, a relação cintura quadril variou entre os 0,78 e 1,10 nos homens e entre 0,66 e 0,98 nas mulheres. Dentro destes limites, cada 0,1 aumento no quociente cintura quadril ficou relacionada com um risco acrescido em 34% nos homens e 24% nas mulheres.

Este aumento no risco de mortalidade poderá estar principalmente relacionado com o armazenamento de gordura ao redor da cintura, já que o tecido gordo nesta área segrega citocinas, hormonas e compostos metabolicamente ativos que contribuem para o desenvolvimento de doenças crônicas, especialmente doenças cardiovasculares e cânceres, sugerem os autores.

Embora a principal descoberta deste novo estudo seja que o tamanho da cintura faz aumentar o risco de morte prematura independentemente do índice de massa corporal (IMC), o estudo apoia pesquisas anteriores que o índice de massa corporal está relacionado com a mortalidade. O menor risco de morte foi em IMC’s de aproximadamente 25,3 nos homens e 24, 3 nas mulheres.

O Professor Elio Riboli, coordenador europeu do estudo do Departamento de Epidemiologia e Saúde Pública do Colégio Imperial de Londres, afirmou: “Embora pequenos estudos tenham sugerido uma ligação entre mortalidade e tamanho da cintura, formos surpreendidos ao verificar que o tamanho da cintura tem um efeito tão poderoso na saúde das pessoas e na morte prematura. O nosso estudo demonstra que a acumulação excessiva de gordura na cintura e zona média do corpo pode colocar a sua saúde em risco mesmo que o peso seja normal baseado no índice de massa corpórea. Não existem muitas características pessoais que possam aumentar o risco de morte prematura a esta grandeza, independentemente de fumar ou beber.”

O Dr. Tobias Pischon , autor principal do estudo do Instituto Alemão para a Nutrição Humana afirma: “O resultado mais importante do nosso estudo é a constatação de que não apenas a gordura, mas a forma como essa gordura se distribui, afeta o risco de morte prematura de cada indivíduo. A gordura abdominal não é apenas um mero depósito de energia, mas também liberta substâncias que contribuem para o desenvolvimento de doenças crônicas. Este pode ser o motivo da ligação observada.”

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A nova pesquisa não revela porque razão algumas pessoas têm uma cintura maior que outras, mas os pesquisadores acreditam que a vida sedentária, má alimentação e predisposição genética são provavelmente fatores chave.

O Professor Riboli acrescenta ainda: “ A boa notícia é que não precisa de realizar um exame médico dispendioso esperar eternidades para conferir este aspecto da sua saúde – custa virtualmente nada medir a sua cintura e os quadris. Médicos e enfermeiros conseguem facilmente monitorar pacientes que necessitam ter especiais cuidados com a saúde ao medir estes aspectos do corpo. Se tiver uma cintura larga, provavelmente precisa adquirir hábitos de exercícios físicos diários, evitar consumo excessivo de álcool e melhorar a alimentação. Estas medidas podem fazer uma grande diferença para reduzir o risco de morte prematura.”


O estudo analisou 350,387 participantes de 9 países europeus. A média de idades dos participantes foi de 51,5 anos e 65,4% eram mulheres. Durante o período de acompanhamento, que durou 9,7 anos, 14,723 participantes acabaram por falecer. Os participantes com elevado índice de massa corporal, comparados com índices normalizados, faleceram frequentemente de doenças cardiovasculares e câncer. 

Participantes com baixo índice de massa corporal faleceram mais frequentemente de doenças respiratórias.


Fonte: ScienceDaily

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