Diabetes tipo 2 - Não é sinal de morte certa

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O excesso de glicose no sangue afeta a qualidade de vida do paciente. Mas, com algumas mudanças de comportamento, é possível evitar complicações crônicas na visão, nas pernas e nos rins

A doença em números: 

Segundo dados da Sociedade Brasileira de Diabetes, existem mais de 214 milhões de portadores de diabetes em todo o mundo. A cada 5 segundos, uma pessoa descobre que tem a doença metabólica caracterizada pelo excesso de glicose no sangue.

 No Brasil, com aproximadamente 12 milhões de diabéticos, esse número é de uma nova descoberta a cada 2 minutos e 18 segundos. De acordo com a Federação Internacional de Diabetes, o aumento do número de casos se revela cada vez maior. E as estimativas sobre as mortes provocadas pela doença são alarmantes. Ao total, são 3,2 milhões de falecimentos em decorrência do problema. A cada ano, há 1 milhão de amputações pela falta de tratamento.

Especialistas acreditam que o diabetes tipo 2 tornou-se uma epidemia por fatores como maior envelhecimento da população mundial, aumento dos índices de obesidade e de um estilo de vida sedentário.
Tipos bem diferentes. Ao contrário do que muitos pensam os dois tipos da doença são bastante distintos entre si. A diferença de base está na origem de cada uma.

O diabetes tipo 1 é uma doença autoimune, isto é, o sistema de defesa se volta contra o próprio indivíduo, produzindo anticorpos que, por sua vez, vão destruir as células do pâncreas que produzem insulina. Isso acontece porque o organismo se “engana” e encara as células pancreáticas como inimigas que devem ser destruídas. Daí, quando o pâncreas para de produzir insulina ou a fabrica em baixíssima quantidade, surge a doença, e o paciente precisa tomar injeções diárias do hormônio para controlar o nível de açúcar.
Somente 5% a 10% dos pacientes com diabetes possuem a doença do tipo 1, a qual se desenvolve mais comumente na infância ou na adolescência e não está associada ao ganho de peso.

Fator obesidade. Já a principal causa do diabetes tipo 2 é a obesidade. Tanto é que de 60% a 90% dos diabéticos tipo 2 são obesos.

A doença, em geral, atinge pessoas acima dos 40 anos. Nesse caso, a insulina continua a ser produzida, porém não atua no organismo. Por várias razões, ela não consegue entrar nas células musculares para queimar a glicose. Daí, o acúmulo de açúcar na corrente sanguínea.

Outro fator que fortalece a ideia de que a obesidade é a causa principal do diabetes tipo 2 é o fato de ser, atualmente, cada vez mais comum sua presença em criança e adolescentes acima do peso e sedentárias, ainda que nelas a produção de insulina continue normal.

De pai para filho O fator hereditário é preponderante para o desenvolvimento da doença, principalmente no tipo 2. Além da predisposição genética, fatores como os maus hábitos alimentares – que levam à obesidade – e o sedentarismo da vida moderna são os principais responsáveis para o surgimento da doença. Esse dado é importantíssimo, pois, segundo os especialistas, quem tem casos de diabetes tipo 2 na família deve tomar cuidado redobrado com os níveis de glicose no sangue.

Sintomas tardios. As pessoas com níveis altos ou mal controlados de glicose no sangue, em geral, apresentam vários sintomas como: muita sede, vontade de urinar várias vezes, perda de peso mesmo comendo mais do que o habitual, fome exagerada, visão embaçada, infecções repetidas na pele ou mucosas, machucados que demoram a cicatrizar, cansaço inexplicável e dores nas pernas por causa da má circulação.

Em alguns pacientes, os sintomas nem aparecem ou só surgem muito mais tarde. Por isso, é considerada pelos médicos uma doença silenciosa. “Em muitos casos, quando é feito o diagnóstico, o paciente já é portador da doença há oito ou até dez anos. E, não raro, existem complicações, como problemas de visão”, avisa Marcio Krakauer, endocrinologista, presidente da Associação dos Diabéticos do ABC e coordenador da Liga de Diabetes da Faculdade de Medicina do ABC.

Exercícios físicos: a melhor prevenção:

Os especialistas alertam: atividades físicas são fundamentais para o controle da glicose no sangue. Mas não apenas porque exercícios ajudam na perda de peso e no combate à obesidade. “As atividades físicas melhoram diretamente a ação da insulina no organismo. Por isso, o paciente começa a se sentir melhor antes até de acontecer a perda de peso”, esclarece Helena Machado.

Vale lembrar que no diabetes tipo 2 a insulina está presente. Entretanto, apesar de o hormônio estar presente no sangue em quantidades normais, não consegue “queimar” o açúcar circulante nesse mesmo sangue.

É importante seguir rigorosamente a recomendação médica: para a prevenção da doença, o melhor é controlar o peso, fazer exercícios e realizar exame para saber a quantas anda a taxa de açúcar no sangue pelo menos uma vez ao ano.
Para os pacientes acima de 40 anos ou com sobrepeso e histórico familiar na doença, esse controle deve ser feito com maior frequência, a cada seis meses.

Quanto mais cedo forem feitos o diagnóstico e o controle da taxa de glicose no sangue, menores são os riscos de o paciente desenvolver complicações crônicas, como problemas na visão (retinopatias), nas pernas (neuropatias) e nos rins (nefropatias).

Para o controle da doença, especialistas recomendam dieta com restrição de açúcares, atividades físicas e, se necessário, hipoglicemiantes orais, que são medicamentos usados para controlar a glicose. Diferente do tipo 1, nem sempre o portador de diabetes 2 precisa de insulina injetável. “Se a doença estiver numa fase tardia, quando o pâncreas já não produz mais insulina, aí, sim, as aplicações diárias do hormônio serão necessárias”, diz Helena Atroch Machado, endocrinologista do Hospital e Maternidade São Camilo, de São Paulo.

Revista VivaSaúde Edição 64
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